Há jeito seguro de abraçar na pandemia?

A necessidade de distanciamento social na pandemia fez com que algumas pessoas exercessem a criatividade para se abraçar. O jornal The New York Times listou dicas para quem deseja se envolver nos braços do outro, sugerindo desde prender a respiração, cronometrar o tempo de carinho e até desenvolver um “traje anticovid-19”.

Conteúdo - Saudade

O jornal The New York Times listou dicas para quem deseja se envolver nos braços do outro, sugerindo desde prender a respiração até cronometrar o tempo de carinho.

Mas será que mesmo com todas essas regras e parafernálias há risco de exposição ao vírus?

Para responder a isso, o principal problema é o número de assintomáticos, ou seja, pessoas que têm o vírus, mas não têm sintomas e, portanto, não sabem que estão doentes. Ao falar ou respirar, esse indivíduo solta partículas contaminantes, mesmo que esteja de máscara. Um abraço, então, pode ser uma ponte para que essas partículas cheguem a outra pessoa saudável.

Partículas da fala e da respiração

A quantidade de partículas que uma pessoa solta depende da força que ela faz ao falar e respirar e, por isso cada estudo traz números diferentes. Tem pessoas que naturalmente emitem mais partículas do que outras, falando ou respirando, são os chamados super-emissores. “Quanto mais alto a pessoa fala, mais partículas vai produzir. Essas pessoas emitem, em média, 10 partículas por segundo. Se você ficar 10 minutos conversando com uma delas, supondo que ela seja assintomática, vai estar exposto a aproximadamente 6.000 partículas de aerossol direto, muito perto”, diz Ponczek. Para piorar, ainda não se sabe qual a quantidade necessária de partículas.

Mesmo de máscara?

Pode ser assustador pensar que a máscara não impede que essas partículas saiam da boca ou do nariz, mas isso já um fato conhecido. Apesar de seu uso ser importante e ajudar muito na contenção de gotículas, ela não é 100% eficiente. “Toda máscara tem o que a gente chama de eficiência de filtração. A pessoa vai emitir partículas de diferentes tamanhos e a máscara vai ter uma eficiência diferente para cada tamanho de partícula”, diz Ponczek. De acordo com ela, a máscara de algodão, com camada dupla, funciona justamente para melhorar essa eficiência de filtração, mas nenhuma máscara filtra 100%. Mesmo as máscaras N95, que são as melhores, têm de 95 a 97% de eficiência.

Qualquer interação social ainda traz risco.

Aliás, lembrando que, mesmo que alguém consiga seguir as diretrizes, virando a cara, prendendo a respiração, não tossindo, não espirrando e não falando, não podemos dizer que o risco de exposição ao vírus é baixo. Por mais que se consiga durante os 10 segundos do abraço, depois que as pessoas se afastarem, muito provavelmente elas vão ter que respirar e vão falar. Afinal, elas estão tendo alguma interação social e provavelmente vão se comunicar.

Como ainda há muito mais perguntas do que respostas, todas as orientações sanitárias são para minimizar o risco de contágio. Então, quanto menos puder se expor ou expor outras pessoas, melhor. “Com o grande número de assintomáticos, é muito difícil saber lidar com isso, que posso ter o vírus e não saber. Mesmo com todo cuidado que tome, posso colocar em risco outras pessoas sem querer. Por isso eu acho que por enquanto não dá para se abraçar, infelizmente”, diz Ponczek.

fonte: uol

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